quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Como é seres tu?

«Ambos os lados em qualquer guerra acreditam que seu lado é o lado justo. A mentalidade da guerra diz que só quando nossos inimigos são derrotados é que podemos ter paz. A humanidade tem lutado guerras sem fim há milhares de anos e nenhum lado conseguiu reivindicar a vitória. Para aqueles que procuram outro caminho além da guerra sem fim, a questão, "COMO É SERES TU?" oferece-nos outro caminho para a reconciliação e a verdade.»

Vídeo de  Sustainable Human, narrado por Charles Eisenstein, legendas em português enviadas por Sustentabilidade é Acção

domingo, 10 de dezembro de 2017

CARTA DE FAMALICÃO (manifesto pelo ambiente em Portugal)

No dia 7 de outubro de 2017 realizou-se, em Vila Nova de Famalicão, o Encontro Ação Ecológica, Transição Sustentável e Regeneração que reuniu cerca de 35 associações ligadas à defesa do ambiente (e cujo resumo já foi publicado aqui).

O evento foi organizado pela Associação Famalicão em Transição e pela Campo Aberto - associação de defesa do ambiente, e teve como finalidade a partilha, a troca de experiências e de perspetivas das diversas coletividades ambientais, provenientes de todos os pontos do país e com trabalho realizado nesta área, de modo a conhecer-se, em profundidade e abrangência, a situação ecológica e ambiental do Noroeste de Portugal.

Um dos resultados do encontro foi a assinatura da Carta de Famalicão – o Espírito e as Práticas, cujo texto foi preparado ao longo das semanas anteriores por via eletrónica com conhecimento e intervenção por parte dos vários coletivos entretanto inscritos.

Posteriormente ao encontro, foi criada uma página destinada à divulgação desse manifesto - Ação Ecológica - Carta de Famalicão (https://cartafamalicao.comunidades.net/), que contém o respetivo texto e a possibilidade de subscrição por qualquer pessoa individual ou coletiva que com ele concorde. Inclui também um resumo e as fotografias do encontro referido, em Famalicão.

Abaixo, um extrato da introdução da Carta de Famalicão:

«(...) os signatários (...) convidam todos a tomar conhecimento das preocupações, propostas e recomendações incluídas nesta Carta. Com ela, temos em vista contribuir para que no País se enfrentem problemas decisivos para o nosso futuro comum, como são os do território, da preservação dos nossos recursos naturais, da qualidade de vida, da energia, do clima e de uma economia sustentável, numa atitude que, em vez de agredir esses valores essenciais, os proteja e salvaguarde.
(...) 
as propostas vão enquadradas nos temas principais do encontro que dá origem à presente Carta:
(1) Rios e bacias hidrográficas, tomando o Vale do Ave como um caso específico e tendo em mente situações próximas ou equivalentes; 
(2) Transição, apelando a um modo de vida menos consumidor de recursos e mais autêntico;
(3) Coberto vegetal, incêndios e floresta autóctone: os constantes e devastadores incêndios que têm assolado o nosso território e a primazia a dar à floresta autóctone e à sua recuperação gradual como parte indispensável da solução;
(4) Proteção do património e gestão das áreas juridicamente protegidas como valor fundamental a salvaguardar e a gerir com todo o cuidado que merecem, tendo em conta o contexto da Rede Fundamental de Conservação da Natureza


Apelamos a que leia o documento completo (aqui), e se concordar, junte-se e subscreva a Carta de Famalicão (aqui) para lhe dar mais força.

(Nota: No caso de subscrições por parte de entidades coletivas (associações, grupos, movimentos, iniciativas, projetos, formais ou informais, empresas, autarquias e outras instituições), estas receberão e-mail para confirmar a assinatura antes de serem adicionadas à lista de entidades signatárias na respetiva página).

domingo, 3 de dezembro de 2017

Educação obsoleta

«O sistema tradicional de educação foi projetado na era industrial e agora está desatualizado e ineficaz. Saiba mais sobre os 6 principais problemas do sistema. Na NEXT School, estamos a fazer a atualização muito necessária do sistema educacional para resolver esses problemas. Somos a primeira Escola Big Picture da Índia. O quadro de aprendizagem Big Picture altamente inovador permite personalizar a jornada educacional de cada criança tornando a aprendizagem mais envolvente e relevante. Visite www.nextschool.org para saber mais.» Fonte: NEXT School

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

"Felicidade" (por Steve Cutts)

Uma sátira sobre a sociedade atual, à procura da felicidade nos sítios mais errados!

Happiness, um filme de 4 minutos de Steve Cutts.

Para refletir!


Happiness from Steve Cutts on Vimeo.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Glifosato: traição e corrupção a favor deste veneno

O glifosato é o herbicida mais vendido no mundo, conhecido pelo nome comercial Roundup (da Monsanto), o qual foi classificado como cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde.

Imagem obtida aqui
Depois de meses de impasse sobre a sua reautorização na Europa, ontem a traição e corrupção conseguiram nova aprovação por mais 5 anos na União Europeia, graças à viragem da Alemanha. 
Posição estranha é também a abstenção de Portugal, o país da Europa mais contaminado com este veneno, tanto quanto se sabe.  

A seguir, o desabafo de Margarida Silva:

«Há momentos de desalento. 

Ontem o glifosato foi reautorizado (5 anos, sem restrições) por uma maioria qualificada de Estados Membros graças à Alemanha, que mudou de posição.  

Esta reviravolta resultou afinal de um golpe palaciano: o ministro da agricultura e a do ambiente (da Alemanha) combinaram que o país se ia abster, tal como até aqui... mas depois o da agricultura mandou para o representante em Bruxelas a indicação para votar a favor do glifosato, torpedeando assim o seu colega de governo.

Manifestação em Bruxelas esta segunda-feira contra a aprovação
do uso do glifosato YVES HERMAN/REUTERS, Via Público
E a Comissão rejubilou. 

Não adiantou o milhão de assinaturas, não adiantou todo o acumular de provas de corrupção via Monsanto Papers, não adiantou o Parlamento Europeu ter pedido restrições, não adiantou a ausência de critérios para avaliar a desregulação endócrina, nada adiantou nada. 

Depois não se admirem de o cidadão comum se sentir atraiçoado pela classe política convencional e se deixar atrair pelo radicalismo.

Votos - Portugal foi a única abstenção:
  • A favor (18): BG, DE, CZ, DK, EE, IE, ES, LV, LT, HU, NL, PL, RO, SV, SK, FI, SE, UK
  • Contra (9 ): BE, EL, FR, HR, IT, CY, LU, MT, AT
  • Abstenção (1): PT»

Margarida Silva, doutorada em Biologia Molecular, docente universitária e ativista da Plataforma Transgénicos Fora.  Via email recebido da  lista OGM (para se inscrever nesta lista envie um email vazio para o endereço ogm_pt+subscribe@googlegroups.com)

Ver a notícia referida em GMWatch, 27/11/2017: Scandal erupts around German glyphosate vote

domingo, 26 de novembro de 2017

O Decrescimento

O conceito do Decrescimento (Decroissance em francês, Degrowth, em inglês) assenta no facto de o crescimento económico ser insustentável no ecossistema global, pois o planeta é finito e os recursos  naturais limitados, pelo que não é possível o crescimento infinito. Por oposição, o pensamento económico dominante considera que a melhoria do nível de vida só depende do aumento do PIB, promovendo o perpétuo crescimento  económico.

Imagem obtida aqui
«O decrescimento é um conceito social, político e económico e defende a redução da produção e do consumo uma vez que considera o excesso de consumo como a principal causa dos problemas ambientais e de desigualdade social.»

Esta é a definição constante de um documento resumo
elaborado por  Luís Coentro (novembro 2017), da Rede Transição Portugal, no qual se encontra informação acessível sobre o movimento do Decrescimento, a sua história, exemplos de soluções e obstáculos. 

Também encontram informação sobre este tema em português no blogue Decrescimento.

Abaixo, o vídeo "Dessine-moi l'éco: la décroissance, une solution à la crise? (O Decrescimento, uma solução para a crise), da série francesa Dessine moi l'éco, que acabo de legendar em português.


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

2º Aviso dos Centistas à Humanidade


William J. Ripple, Christopher Wolf, Mauro Galetti, Thomas M. Newsome, Mohammed Alamgir, Eileen Crist, Mahmoud I. Mahmoud, William F. Laurance, e mais de 15 mil cientistas de 184 países (a lista dos signatários encontra-se aqui)


Revista BioScience, 13 de novembro de 2017

«Há vinte e cinco anos, a Union of Concerned Scientists e mais de 1700 cientistas independentes, incluindo a maioria dos então laureados com o Prémio Nobel nas ciências, assinaram a Advertência dos Cientistas do Mundo à Humanidade de 1992 (veja-se Arquivo Suplementar S1).

Esses profissionais alarmados apelavam à humanidade para que reduzisse a destruição ambiental e alertavam ser "necessária uma grande mudança em nossa gestão da Terra e da vida para se evitar uma vasta miséria humana". Em seu manifesto, mostravam que os humanos estavam em rota de colisão com o mundo natural. Expressavam preocupação com os danos presentes, iminentes ou potenciais infligidos ao planeta Terra, envolvendo depleção da camada de ozono, disponibilidade de água doce, colapsos da pesca marinha, zonas mortas no oceano, perdas de floresta, destruição da biodiversidade, mudanças climáticas e crescimento contínuo da população humana. Proclamavam a urgente necessidade de mudanças fundamentais, de modo a evitar as consequências que nossa trajetória traria.

Os autores da declaração de 1992 temiam o fato da humanidade estar impelindo os ecossistemas da Terra além de sua capacidade de suportar a teia da vida. Descreviam como estávamos rapidamente nos aproximando de muitos dos limites do que o planeta pode tolerar sem danos substanciais e irreversíveis. Os cientistas exortavam-nos a estabilizar a população humana, descrevendo como nossos grandes números – aumentados em mais 2 mil milhões de pessoas desde 1992, um aumento de 35% – exercem sobre a Terra pressões que podem anular outros esforços para realizar um futuro sustentável (Crist et al., 2017).

Imploravam que reduzíssemos as emissões de gases de efeito estufa (GEE), eliminássemos os combustíveis fósseis, reduzíssemos o desmatamento e revertêssemos a tendência ao colapso da biodiversidade.

No 25º aniversário dessa Advertência, voltamos os olhos para trás e avaliamos a resposta humana, explorando os dados disponíveis em séries históricas. Desde 1992, com exceção da estabilização da camada de ozono estratosférico, a humanidade fracassou em fazer progressos suficientes na resolução geral desses desafios ambientais anunciados, sendo que a maioria deles está piorando de forma alarmante (Figura 1, Arquivo Suplementar S1).

Especialmente perturbadora é a trajetória atual das mudanças climáticas potencialmente catastróficas, devidas ao aumento dos gases de efeito estufa (GEE) emitidos pela queima de combustíveis fósseis (Hansen et al. 2013), desmatamento (Keenan et al., 2015) e produção agropecuária – particularmente do gado ruminante para consumo de carne (Ripple et al. 2014). Além disso, desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, no âmbito do qual muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, condenadas à extinção até o final deste século.

A humanidade está agora a receber um segundo aviso, conforme ilustrado por essas tendências alarmantes (figura 1). Estamos a ameaçar o nosso futuro ao não refrear o nosso intenso consumo material, embora geografica e demograficamente desigual, e ao não perceber o rápido e contínuo crescimento da população como motor primário de muitas ameaças ecológicas e mesmo sociais (Crist et al., 2017)

Ao fracassar em limitar adequadamente o crescimento populacional, em reavaliar o papel de uma economia enraizada no crescimento, em reduzir os gases de efeito estufa, em incentivar as energias renováveis, em proteger os habitats, em restaurar os ecossistemas, em parar a defaunação, e em restringir as espécies exóticas invasoras, a humanidade não está tomando as medidas urgentemente necessárias à salvaguarda da nossa biosfera em perigo.

Dado que a maioria dos líderes políticos é sensível à pressão, os cientistas, os formadores de opinião nos media e os cidadãos em geral devem insistir para que seus governos tomem medidas imediatas, como um imperativo moral em relação às gerações atuais e futuras da vida humana e de outras espécies. Com uma vaga de esforços organizados e popularmente embasados, é possível vencer oposições obstinadas e obrigar os líderes políticos a fazer o que é certo.

Também é hora de reexaminar e mudar nossos comportamentos individuais, incluindo a limitação de nossa própria reprodução (idealmente, o nível de reposição no máximo) e diminuir drasticamente nosso consumo per capita de combustíveis fósseis, de carne e de outros recursos.

O rápido declínio global das substâncias que destroem o ozono mostra que podemos fazer mudanças positivas quando agimos resolutamente. Também fizemos avanços na redução da pobreza extrema e da fome (www.worldbank.org). Outros progressos notáveis (que ainda não se apresentam nos conjuntos de dados globais na figura 1) incluem: o rápido declínio nas taxas de fecundidade em muitas regiões, atribuível aos investimentos na educação de meninas e mulheres (www.un.org/esa/population), o declínio promissor da taxa de desmatamento em algumas regiões e o rápido crescimento do setor de energia renovável. Aprendemos muito desde 1992, mas o avanço das mudanças urgentemente requeridas nas políticas ambientais, no comportamento humano e nas desigualdades globais ainda está longe de ser suficiente.

Transições em direção à sustentabilidade ocorrem de diversas maneiras e todas requerem pressão da sociedade civil e argumentação baseada em evidências, liderança política e uma sólida compreensão de instrumentos políticos, dos mercados e de outros fatores.

Eis alguns exemplos de passos diversos e efetivos que a humanidade pode dar para uma transição em direção à sustentabilidade (não por ordem de importância ou urgência):
  • priorizar a criação de reservas conectadas, bem financiadas e bem gerenciadas de modo a preservar uma proporção significativa dos habitats terrestres, marinhos, de água doce e aéreos do mundo;
  • cessar a destruição das florestas, prados e outros habitats nativos, de modo a manter os serviços ecossistémicos da natureza;
  • restaurar comunidades nativas de plantas em larga escala, particularmente paisagens florestais;
  • renaturalizar regiões com espécies nativas, especialmente predadores do topo da pirâmide alimentar, para restaurar processos e dinâmicas ecológicas;
  • desenvolver e adotar instrumentos políticos adequados para reparar a defaunação, a crise de caça ilegal e a exploração e o tráfico de espécies ameaçadas;
  • reduzir o desperdício de alimentos através da educação e de uma melhor infraestrutura;
  • promover transições na dieta, sobretudo na direção de uma alimentação à base de plantas;
  • reduzir ainda mais as taxas de fecundidade, garantindo que as mulheres e os homens tenham acesso à educação e a serviços de planeamento familiar voluntário, especialmente onde tais serviços ainda não estão disponíveis.
  • aumentar a educação natural e ao ar livre para crianças, bem como o engajamento geral da sociedade na apreciação da natureza;
  • reorientar investimentos e compras no sentido de incentivar mudanças ambientais positivas;
  • detectar e promover novas tecnologias ecológicas, com adoção massiva de fontes de energia renováveis, eliminando os subsídios à produção de energia através de combustíveis fósseis;
  • rever a nossa economia para reduzir a desigualdade económica e garantir que os preços, a tributação e os sistemas de incentivo levem em conta os custos reais impostos ao nosso ambiente por  nossos padrões de consumo; e
  • estimar um tamanho de população humana cientificamente defensável e sustentável a longo prazo, reunindo nações e líderes para apoiar esse objetivo vital.

Para evitar miséria generalizada e perda catastrófica de biodiversidade, a humanidade deve adotar práticas mais ambientalmente sustentáveis e alternativas em relação às práticas atuais.

Esses preceitos foram bem formulados pela liderança científica mundial há 25 anos, mas, na maioria dos aspectos, não acatamos sua advertência.  Em breve será tarde demais para mudar o curso de nossa trajetória de fracasso e o tempo está se esgotando. 

Devemos reconhecer, em nossa vida quotidiana e em nossas instituições de governo, que a Terra, com toda a sua vida, é nosso único lar.»

Figura 1 - Tendências ambientais identificadas na advertência dos cientistas à humanidade de 1992. Os anos antes e depois desse alerta de 1992  são mostrados como linhas cinza e preta, respetivamente. Ver legenda completa  aqui
Fonte, agradecimentos, referências e  legenda do gráfico em Tradução para português do "World Scientists’ Warning to Humanity: A Second Notice" , por Luiz Marques (com algumas  adaptações para português de Portugal).

Cientistas podem ainda assinar em http://scientists.forestry.oregonstate.edu/

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Odisseia Moderna

Um vídeo forte, uma crítica mordaz à sociedade atual, que não precisa de palavras:

"IN-SHADOW: A Modern Odyssey".

Se tem coragem, veja e deixe cair a máscara!


IN-SHADOW: A Modern Odyssey from Lubomir Arsov on Vimeo.