Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Leonardo Boff: "Responsabilidade coletiva face ao futuro da espécie humana"

Mais um excelente texto de Leonardo Boff  (de 10/5/2013), que não podia deixar de trazer até aqui:

«Responsabilidade coletiva face ao futuro da espécie humana

GAIA, por Frida Kahlo (obtida aqui)
Numa votação unânime de 22 de abril de 2009 a ONU acolheu a idéia, durante muito tempo proposta pelas nações indígenas e sempre relegada, de que a Terra é Mãe. Por isso a ela se deve o mesmo respeito, a mesma veneração e o mesmo cuidado que devotamos às nossas mães. A partir de agora, todo dia 22 de abril não será apenas o dia da Terra mas o dia da Mãe Terra.

Esse reconhecimento comporta consequências importantes. A mais imediata delas é que a Terra viva é titular de direitos. Mas não só ela, mas também todos os seres orgânicos e inorgânicos que a compõem; são, cada um a seu modo, também portadores de direitos. Vale dizer, cada ser possui valor intrínseco, como enfatiza a Carta da Terra, independentemente do uso ou não que fizermos dele. Ele tem direito de existir e de continuar a existir nesse planeta e de não ser maltratado nem eliminado.

Essa aceitação do conceito da Mãe Terra vem ao encontro daquilo que já nos anos 20 do século passado o geoquímico russo Wladimir Vernadsky (1983-1945), criador do conceito de biosfera (o nome foi cunhado do geólogo austríaco Eduard Suess (1831-1914) chamava de ecologia global no sentido de ecologia do globo terrestre como um todo. Conhecemos a ecologia ambiental, a politico-social e a mental. Faltava uma ecologia global da Terra tomada como uma complexa unidade total. Na esteira do geoquímico russo, recentemente James Lovelock, com dados empíricos novos, apresentou a hipótese Gaia, hoje já aceita como teoria científica: a Terra efetivamente comparece como um superorganismo vivo que se autoregula, tese apoiada pela teoria dos sistemas, da cibernética e pelos biólogos chilenos Maturana e Varela e pelo físico quântico Fritjof Capra.

Vernadsky entendia a biosfera como aquela camada finíssima que cerca a Terra, uma espécie de sutil tecido indivisível que capta as irradiações do cosmos e da própria Terra e as transforma em energia terrestre altamente ativa. A vida se realiza aqui.

Nesse todo se encontra a multiplicidade dos seres em simbiose entre si, sempre interdependentes de forma que todos se autoajudam para existir, persistir e coevoluir. A espécie humana é parte deste todo terrestre, aquela porção da Terra que pensa, ama, intervem e constrói civilizações.

A espécie humana possui uma singularidade no conjunto dos seres: cabe-lhe a responsabilidade ética de cuidar, manter a condições que garantam a sustentabilidade do todo.

Como descrevemos no artigo anterior vivemos gravíssimo risco de destruir a espécie humana e todo o projeto planetário. Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o antropoceno: uma nova era geológica com altissimo poder de destruição, fruto dos últimos séculos que significaram um transtorno perverso do equilíbrio do sistema-Terra. Como enfrentar esta nova situação nunca ocorrida antes de forma globalizada e profunda?

Temos pessoalmente trabalhado os paradigmas da sustentabilidade e do cuidado como relação amigável e cooperativa para com a natureza. Queremos agora, brevemente, apresentar um complemento necessário: a ética da responsabilidade do filósofo alemão Hans Jonas (1903-1993) com o seu conhecido Princípio Responsabilidade, seguido pelo Princípio Vida.

Jonas parte da triste verificação de que o projeto da tecno-ciência tornou a natureza extremamente vulnerável a ponto de não ser impossível o desaparecimento a espécie humana. Dai emerge a responsabilidade coletiva, formulada nesse imperativo: aja de tal maneira que os efeitos de tuas ações não destruam a possibilidade futura da vida.

Jonas trabalha ainda com outra categoria que deve ser bem entendida para não provocar uma paralização: o temor e o medo (Furcht). O medo aqui possui um significado elementar, um medo que nos leva instintivamente a preservar a vida e toda a espécie. Há efetivamente o temor de que se deslanche um processo irrefreável de destruição em massa, com os meios diante dos quais não tínhamos temor em construir e que agora, temos fundado temor de que nos podem realmente destruir a todos. Dai nasce a responsabilidade face às novas tecnociências como a biotecnologia e a nanotecnologia, cuja capacidade de destruição é inconcebível. Temos que realmente nos responsabilizar pelo futuro da espécie humana por temor e muito mais por amor à nossa propria vida.

Leonardo Boff é autor Do Iceberg à Arca de Noé, Mar de Idéias 2012.»

Fonte:  Blogue de Leonardo Boff, http://leonardoboff.wordpress.com/

Sábado, 11 de Maio de 2013

ISMAEL - "como as coisas vieram a ser o que são"

ISMAEL (ISHMAEL - An Adventure of the Mind and Spirit) é um pequeno grande livro do escritor norte-americano Daniel Quinn, de 1990. Em Portugal o título é "Ismael - Como o mundo veio a ser o que é", e no Brasil, adotou o nome "Ismael - Um romance da condição humana". Só posso aconselhar todos aqueles que se preocupam com a situação global a lê-lo. Eu li-o em poucas horas, e de seguida, pois não consegui parar. De algum modo, fez-me lembrar a Alegoria da Caverna, de Platão. O texto que se segue define-o melhor do que eu poderia definir.

«Esta é uma leitura necessária e urgente para todos aqueles, jovens e adultos, que têm um desejo sincero de salvar o mundo. O que sabemos da humanidade e de seu comportamento? A história oficial, vista por olhos humanos, é um desfilar de nossas grandes conquistas e, ao mesmo tempo, contraditoriamente, a angústia de reconhecer a ameaça de uma iminente extinção da espécie.

Todos compartilhamos dessa angústia e procuramos meios de interferir que esse futuro sombrio não se concretize. Todos temos um desejo sincero de salvar o mundo! E gostaríamos de encontrar um professor disposto a nos acolher como discípulos para nos ensinar a satisfazer esse desejo. O narrador dessa belíssima fábula teve a oportunidade.»


Se ainda não leu o livro e não o tem, aproveite para descarregar a versão brasileira, disponível em português (brasileiro) em Camino Sustenible (aqui).  Abaixo, dois pequenos extractos:

«“ Somente uma coisa pode nos salvar”, continuei. “Temos de aumentar nosso domínio sobre o mundo. Todo esse estrago foi causado por nossa conquista do mundo, mas temos de continuar a conquistá-lo até que nosso governo seja absoluto. Então, quando nosso controle for completo, tudo ficará bem. Teremos poder de fusão. Não haverá mais poluição. Ligaremos e desligaremos a chuva. Plantaremos um alqueire de trigo num centímetro quadrado. Transformaremos os oceanos em fazendas. Controlaremos o clima, e não haverá mais furacões, tornados, secas e geadas inoportunas. Faremos as nuvens soltarem sua água sobre a terra em vez de despejá-la inutilmente no oceano. Todos os processos vitais deste planeta estarão em seu lugar, onde os deuses querem que estejam: em nossas mãos. E nós os manipularemos assim como um programador manipula um computador. É a situação do momento. Precisamos aprofundar a conquista. E, ao aprofundá-la, destruiremos o mundo ou o transformaremos num paraíso; o paraíso que era destino do homem criar com seu governo. E se conseguirmos isso, se finalmente nos tornarmos os senhores absolutos do mundo, então mais nada nos deterá. Entraremos na era de Jornada nas estrelas. O homem se lançará no espaço para conquistar e governar todo o universo. E este pode ser seu destino último: conquistar e governar todo o universo. Que ser maravilhoso é o homem!”»

«As pessoas de sua cultura se agarram com uma tenacidade fanática à idéia de que o homem é especial. Querem desesperadamente perceber um imenso abismo entre o homem e o resto da criação. Essa mitologia da superioridade humana justifica que façam o que bem quiserem com o mundo, assim como a mitologia de Hitler sobre a superioridade ariana justificou que fizesse o que bem quisesse com a Europa. Mas essa mitologia não é muito satisfatória, afinal.»


Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Permacultura - uma lição de Bill Mollison

O texto que se segue é a tradução de parte de um subcapítulo do livro "PERMACULTURE, A Designers' Manual", de Bill Mollison (1988, 2ªed. 2002, editora Tagari). Trata da análise da relação entre os elementos, partindo de uma pequena quinta, e usando os mesmos componentes, relocalizá-los de acordo com princípios da permacultura. As imagens da quinta (antes e depois da permacultura), retiradas do mesmo livro, elucidam o ganho de eficiência que se pode obter.


«Fazendo a ligação entre os elementos (componentes)

Para permitir que um componente do projeto funcione, devemos colocá-lo no sítio certo.

Isto pode ser suficiente para um componente vivo, ex. patos colocados num charco podem tomar conta de si próprios, produzindo ovos e carne, e reciclando sementes e rãs. Para outros elementos, temos também de arranjar algumas conexões, especialmente para os "não-vivos", ex. um coletor solar ligado por tubos a um tanque de armazenamento de água quente. E então devemos observar e regular o que fizemos. A regulação pode envolver confinar ou isolar o componente, guiá-lo através de vedações, cobrindo-o ou usando válvulas de um só sentido. Uma vez conseguida a regulação, podemos relaxar e deixar o sistema, ou parte do sistema, regular-se a si próprio.

Tendo listado toda a informação que temos sobre o nosso componente, procedemos então a estratégias de localização e ligação que podem ser colocadas como questões:
- Que uso podem ter os produtos deste componente particular (ex. galinhas) para as necessidades de outros componentes?
- Que necessidades deste componente são fornecidas por outros componentes?
- Em que é que este componente é incompatível com outros componentes?
- Em que é que este componente beneficia outras partes do sistema?
A resposta providenciará um plano da localização relativa ou auxiliará o acesso de um componente aos outros.

Podemos escolher os nossos outros componentes de entres elementos comuns de uma pequena quinta familiar, em que a família indicou as suas necessidades como: auto-suficiência, não muito trabalho, muito interesse, e produto para vender (nenhum milionário poderia pedir mais!).

Os componentes que podemos trazer para uma pequena quinta típica são:
- Estruturas: casa, celeiro, estufa, galinheiro.
- Construções: tanque ou lago, reservatório, ramada ou pérgola, vedações ou cercas.
- Animais domésticos: galinhas, vacas, porcos, ovelhas, peixes.
- Uso do solo: pomar, pasto, lavouras, jardim, mata (bosque).
- Contexto: mercado, trabalho, finanças, habilidades, pessoas, disponibilidade de terreno e limites culturais.
- Infraestruturas: a maioria das tecnologias, máquinas, estradas e sistemas de água.

Não vamos listar as caraterísticas de todos estes elementos, mas procederemos de forma mais geral. À luz das estratégias de ligação, nós sabemos onde não podemos colocar as galinhas (no tanque, na casa da maioria das sociedades, no banco, etc.), mas podemos colocar as galinhas no celeiro, no galinheiro, no pomar, ou junto com outros componentes que ou providenciam a satisfação das suas necessidades ou que requeiram os seus serviços ou produtos. O nosso critério de localização  é o de que, se possível, permita às galinhas funcionar naturalmente, num local onde as suas funções beneficiem o sistema por inteiro. Se queremos que a galinha trabalhe para nós, temos de listar as necessidades de energia e materiais dos outros elementos, e ver se a galinha pode fornecer essas necessidades. Assim:

A CASA precisa de comida, combustível para cozinhar, calor no tempo frio, água quente, luz, lugar para dormir, etc. Mesmo que a galinha não possa entrar, ela pode suprir algumas necessidades (comida, penas, metano). Também consome muitos dos desperdícios de comida que saem da casa.
A ESTUFA precisa de dióxido de carbono para as plantas, metano para germinação, estrume, calor e água. Fornece calor durante o dia, comida para as pessoas, e alguns desperdícios para as galinhas. A galinha pode suprir muitas destas necessidades e utilizar grande parte dos desperdícios.  Também pode fornecer calor noturno à estufa na forma de calor corporal.
O POMAR precisa de monda (capina), de controle de pragas, estrume e alguma poda. Dá alimento (como frutas e nozes) e providencia insetos para alimento das galinhas. Assim, o pomar e as galinhas parecem precisar um do outro e beneficiar de trocas mútuas. Eles apenas precisam de ficar juntos.
A MATA precisa de manejo, prevenção de incêndios, talvez controle de pragas, algum estrume. Fornece combustível sólido, bagas, sementes, insetos, abrigo e algum calor. Há uma interção benéfica entre galinhas e a mata.
A LAVOURA (terra cultivada) precisa de ser arada, estrumada, semeada, colhida, e de armazenamento das colheitas. Dá alimento para galinhas e pessoas.As galinhas têm aqui um papel como fornecedoras de estrume e como cultivadores (um grande número de galinhas numa pequena área  removerão efetivamente toda a vegetação e lavram o solo ao esgravatar)
O PASTO precisa de ser cultivado, estrumado, e de armazenamento de feno ou silagem. Dá alimento para os animais (incluindo vermes e insetos).
O LAGO precisa de algum estrume. Fornece peixes, plantas aquáticas para alimentação, e pode refletir a luz e absorver calor.

Numa tal listagem, torna-se claro que muitos componentes satisfazem necessidades e aceitam os produtos de outros. Contudo, há um problema. Numa pequena quinta tradicional, a caraterística principal é que nada está ligado com nada, assim, nenhum componente fornece as necessidades do outro. Abreviando, a quinta comum não aproveita os múltiplos benefícios da correta localização relativa, ou acesso de um componente ou sistema ás necessidades de outro. Esta é a razão porque a maioria das quintas são vistas como lugares de trabalho duro e altamente ineficientes. Ver figuras 3.2 e 3.3 (acima).

Agora, e sem inventar nada de novo, podemos redesenhar os componentes existentes tornando possível que uns sirvam os outros. Ver figuras 3.4 - 3.5.



Apenas movendo os mesmos componentes para um desenho de conjunto benéfico, podemos assegurar que as galinhas, a estufa ou o pomar estão a trabalhar para nós, e não nós a trabalhar para eles. Se  localizarmos os componentes essenciais  com cuidado, em relação uns com os outros, não só o nosso trabalho de manutenção é minimizado, como as necessidades energéticas são muito reduzidas, e poderemos esperar um modesto excedente para venda, comércio ou exportação. Tal excedente resulta da conversão de desperdícios em produtos a partir do uso apropriado.
O galinheiro aquece a estufa (e é aquecido por ela), e ambos são aquecidos pela lareira. As galinhas vão ao pomar, providenciando estrume e obtendo uma grande parte do seu alimento dos resíduos do pomar e pragas, assim como de plantas da mata ou floresta. A estufa também aquece a casa, e parte da mata é um sistema forrageiro e um cinturão de abrigo. Deste modo, foram feitas localizações sensíveis, minimizando o trabalho. O mercado e o controle do investimento foram colocados na casa, junto com um serviço de informação, usando um computador que nos liga ao mundo.

Cada parte deste tipo de design será tratada com maior detalhe neste livro, mas uma simples transformação como a que fizemos da figura 3.2 para a figura 3.3 é suficiente para mostrar o que significa design funcional.

Uma grande parte deste design pode ser conseguido, como foi aqui, por métodos analíticos não relacionados com qualquer condições locais reais. Note que antes de nós implementarmos qualquer coisa, mesmo antes de sairmos da secretária, nós desenvolvemos muitas boas ideias sobre padrões e sistemas auto-regulados para uma quinta familiar. Apenas resta saber se estes são viáveis no terreno, e se a família consegue aceder a eles. Este é o benefício da abordagem analítica do design: pode operar sem experiência! É também o seu ponto fraco. Até à galinha estar efetivamente a aquecer a estufa, a fertilizar o pomar ou a ajudar a produzir metano para a casa, o nosso sistema é apenas informação ou potencial. Até que a galinha esteja realmente a funcionar, não produzimos recursos reais nem resolvemos nenhum problema real da nossa quinta familiar.

Informação como um Recurso
RECURSOS são armazenamentos de energia práticos e úteis, enquanto a INFORMAÇÃO é apenas um recurso potencial, até ser posta em uso.

Nunca devemos confundir a assimilação de informação com fazer a diferença através de um recurso real.  Esta é a falácia académica: "Eu penso, logo eu agi."»

Nota 1: Caso encontrem erros na tradução, agradeço a chamada de atenção.
Nota 2: Espero que este extrato, para fins educativos, e que serve como referência ao livro, não vá contra os direitos de autor ou da editora. Se for o caso, e for avisada, retirarei de imediato este conteúdo.

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

Sementes da liberdade (Seeds of Freedom - em português)

"A agricultura global tem mudado mais na nossa vida atual do que nos dez mil anos anteriores. Mas, como toda a mudança, fez surgir conflitos de interesses. Em nenhum outro lugar esse conflito é mais pungente do que na história da semente.

Neste filme iremos olhar como a semente tem mudado na agricultura e na nossa cultura. De um alimento sagrado e criador de vida para uma mercadoria poderosa, usada para monopolizar a produção global de alimentos. Este conflito entre agricultores e empresários, entre conhecimento e controle, entre a verdade e a propaganda, encontra-se no coração da história da semente.
(fonte: extraído do filme)

Não perca este documentário, agora em português do Brasil, e que já aqui foi publicado na sua versão original, narrada por Jeremy Irons. Um filme de Jess Philimore produzido por The Gaia Foundation  African Biodiversity Network (ABN), em colaboração com  MELCA Ethiopia, GRAIN International & Navdanya International.


Sementes da Liberdade (Seeds of Freedom - Portuguese) from The ABN and The Gaia Foundation on Vimeo.

"Lembre-se, você vota no sistema alimentar cada vez que faz compras. Compre alimentos locais, biológicos e da época. Apoie os mercados de produtores locais e as lojas independentes
(fonte: extraído do filme)

Saiba mais sobre soberania alimentar em www.seedsoffreedom.info

Domingo, 5 de Maio de 2013

Permacultura - princípios de design

No dia internacional da permacultura 2013, falamos sobre os princípios de design em permacultura.  Com o centro nos 3 princípios éticos (cuidar da terra, cuidar das pessoas, e partilha justa), os 12 princípios de design em permacultura, baseiam-se na ecologia, a ciência que estuda as interações entre os seres vivos e entre estes e o seu ambiente, e mais especificamente da ecologia de sistemas. São eles:

1 - Observe e interaja
2 - Capte e armazene energia
3 - Obtenha rendimento
4 - Pratique a autoregulação e aceite feedback
5 - Use e valorize os serviços e recursos renováveis
6 - Não produza desperdícios
7 - Design partindo de padrões para chegar aos detalhes
8 - Integrar ao invés de segregar
9 - Use soluções pequenas e lentas
10 - Use e valorize a diversidades
11 - Use as bordas e elementos marginais
12 - Use criativamente e responda às mudanças

Imagem obtida em http://permacultureprinciples.com/pt/pc_principles_poster_pt.pdf

A explicação sobre cada um destes princípios pode ser lida no site PermaculturePrinciples.com e, de forma mais completa, em "Os Fundamentos da Permacultura", um resumo traduzido dos conceitos e princípios apresentados no livro "Permaculture: Principles & Pathways Beyond Sustainability", da autoria de David Holmgren.

No ano passado, tivemos aqui a mensagem de Geoff Lawton, hoje ficamos com a mensagem de David Holmgren, co-criador do conceito da Permacultura:



Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Comissão Europeia a favor das abelhas!

Imagem de Michael Kooren/Reuters obtida no The Guardian
Uma boa notícia vinda da Comissão Europeia - a suspensão de inseticidas neocotinóides, que comprovadamente prejudicam as abelhas! E uma surpresa, depois do fracasso da votação inicial, no mês passado, em que a proposta de suspensão da Comissão não passou (e, vergonha nossa, Portugal votou contra).

Não sei se a petição da Avaaz, assinada por 2,6 milhões de pessoas teve influência, mas acredito que sim. Por isso, agradeço a todos aqueles que responderam ao apelo que fiz aqui e a assinaram.

A seguir, a transcrição da notícia de Ricardo Garcia, no Público de hoje:


«A Comissão Europeia vai impor a proibição de pesticidas suspeitos de estarem a dizimar populações de abelhas, apesar de a proposta não ter conseguido acordo dos países da União Europeia (UE).

Numa votação de recurso esta segunda-feira, em Bruxelas, 15 Estados-membros posicionaram-se a favor da proposta da Comissão, que prevê a suspensão, por dois anos a partir de Dezembro, do uso de três pesticidas da família dos neonicotinóides, amplamente aplicados na agricultura. Oito países votaram contra – incluindo Portugal – e quatro abstiveram-se.

Apesar de não se ter conseguido a maioria qualificada necessária para aprovar a proposta, o resultado da votação deixou a decisão nas mãos da Comissão Europeia, que já anunciou que irá avançar com as restrições.

Estudos recentes sugerem que alguns pesticidas neonicotinóides, uma vez absorvidos pelas abelhas através do néctar e do pólen das plantas, prejudicam a sua capacidade de navegação e resultam na produção de menos rainhas. Esta poderá ser uma das causas do “desaparecimento” das abelhas, deixando as colmeias vazias, que se tem verificado em vários países europeus e nos Estados Unidos.

Em Janeiro passado, a Agência Europeia de Segurança Alimentar considerou que o uso de tais produtos só seria aceitável em culturas onde as abelhas não se alimentam. Mas a ideia de os proibir vinha sendo vivamente rejeitada por alguns países e pelas multinacionais Bayer e Syngenta, os seus principais fabricantes.

“Dado que a nossa proposta se baseia em riscos para a saúde das abelhas identificados pela Agência Europeia de Segurança Alimentar, a Comissão irá adiante com o seu texto nas próximas semanas”, disse o comissário europeu da Saúde e do Consumidor, Tonio Borg, num comunicado.

Os pesticidas em causa são o tioametoxam, o imidacloprid e o clotianidin e representam problemas para as abelhas em culturas como canola, girassol, milho e cereais, segundo o relatório da Agência Europeia de Segurança Alimentar.

A Comissão vai banir o seu uso, excepto em culturas que não atraiam abelhas. Há algumas excepções também para estufas e para a aplicação dos produtos em culturas “problemáticas”, mas apenas depois da floração.

Onde o seu uso for permitido, os pesticidas só estarão disponíveis para profissionais.

A ideia inicial da Comissão era avançar com as restrições já em Julho, mas a data foi adiada para Dezembro. Dentro de dois anos, a situação será reavaliada.

A proposta de Bruxelas já tinha falhado uma primeira votação, dia 15 de Março, conseguindo apenas 13 votos a favor. Entre os países que então votaram contra ou se abstiveram, a Alemanha mudou agora de posição, apoiando a Comissão.

Já o Reino Unido manteve a sua oposição à proposta, argumentando que não há provas suficientes de que os pesticidas façam mal às abelhas e que os prejuízos na agricultura seriam elevados. Os fabricantes dos pesticidas também dizem que não há provas suficientes de que o seu uso em condições normais na agricultura cause problemas às abelhas.»
Fonte: Público

Notícia também no The Guardian

Domingo, 28 de Abril de 2013

Famalicão no "European Cycling Challenge 2013" em maio

Em  Vila Nova de Famalicão, o que não faltam são pessoas a andar de bicicleta! No entanto, a maioria apenas a usa para praticar desporto, e há inúmeras associações dedicadas ao desporto e passeio em bicicleta. Para promover o uso da bicicleta como meio de transporte, além de estar a projetar tornar a cidade ciclável, o Município de Vila Nova de Famalicão participa no desafio europeu "European Cycling Challenge 2013", que começa já no próximo dia 1 de maio, e está aberto a todas as pessoas que residem ou trabalham no concelho (ver aqui como participar).



«Durante todo o mês de maio, Vila Nova de Famalicão vai participar no European Cycling Challenge 2013, uma iniciativa desportiva e ambiental que tem como principal objetivo fazer da bicicleta o principal meio de transporte utilizado.
Os participantes podem inscrever-se no portal oficial do evento em www.ecc2013.net, escolher a cidade pela qual vão concorrer e clicar em “Como participar”. A partir daí é só seguir as instruções. Todos os dias serão registados os trajetos efetuados pelos participantes com as distâncias percorridas e a quantificação de CO2 não emitido.
O desafio é limitado à categoria de ciclismo – uso da bicicleta como transporte – e apenas as distâncias percorridas sob esta opção serão consideradas: de casa para o trabalho, de casa para a escola, sair para fazer compras e qualquer outra viagem onde a bicicleta é usada em alternativa a outro modo de transporte (automóvel, moto, etc.) Os treinos com fins desportivos não serão admitidos.
Entretanto, já foi criada uma página de facebook para ir acompanhando o evento. O endereço é www.facebook.com/DesafioEuropeuMaio2013.

Para além de Vila Nova de Famalicão participam neste evento as cidades de Bolonha (Itália), Dublin (Irlanda), Kaunas (Lituania), Lewisham (Reino Unido), Lille (França), Padova (Itália), Rimini (Itália), Tallinn (Estónia), Tartu (Estónia), Utrecht (Holanda) e West London (Reino Unido).»


Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Casa feita com materiais reutilizados e locais, na Trofa

"Paredes de pneus, terra e latas; recolha de águas pluviais para usos diários; aproveitamento da luz solar para aquecimento de águas e das habitações; uso de coberturas ajardinadas melhorando a climatização das habitações e aumentando a área de solo permeável; espaços exteriores com a reutilização de diversos materiais, entre outros."

Esta é a descrição que consta na página do Facebook da "Casa Ecofixe" (e donde foram retiradas as imagens), uma moradia que um jovem casal está a construir na na freguesia de Alvarelhos, concelho daTrofa.

As principais motivações para a escolha desta técnica construtiva foram o custo inferior ao da construção tradicional, a procura por um tipo de construção sustentável, através da aplicação de materiais reutilizados e reciclados, e do uso de materiais locais, disponíveis nas proximidades (num raio de poucos quilómetros), e também a eficiência energética, através da minimização dos gastos energéticos futuros e da maior autonomia.

Entre as dificuldades que apareceram, pois a ideia surgiu há já alguns anos, esteve a demora em  arranjar um construtor que abraçasse o projeto, mas acabou formando-se uma empresa de construção para o efeito.



O projeto é da autoria do arquiteto João Pereira e da arquiteta paisagista Graça Silva, e tem tido assessoria técnica na execução do    arquiteto Armindo Pereira de Magalhães, de V. N. Famalicão.

Ficam aqui registados os parabéns aos mentores e autores do projeto, assim como aos donos da obra, Marta Santos e Pedro Silva e a toda a equipa que está a levar a cabo esta obra, inclusive, claro está, ao meu amigo Armindo Magalhães.

Embora já existam vários casos de moradias em construção ecológica, espero que o destaque dado a este caso nos meios de comunicação sirva para que se comece a perceber que há muitas possibilidades de construção para além do betão e do cimento, e muitas delas são bem mais sustentáveis e económicas.

Mais sobre a história desta casa em  O Notícias da Trofa, em Studio Roulette e em Público P3, e vídeos na TrofaTV e em RTP notícias