quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Contra o TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento)

Não fiquem indiferentes ao que se passa quando as grandes multinacionais (corporações) dos dois lados do Atlântico conseguem que os governos negoceiem em seu nome, para poderem aumentar os lucros à custa de diminuir a qualidade de vida dos cidadãos, da proteção do ambiente e dos animais. 
Isto é feito através da desregulamentação, e se este TTIP for para a frente, e está a andar a largos passos, são a soberania das nações, os direitos das pessoas, dos animais e do ambiente que vão sair MUITO prejudicados, a favor do lucro das multinacionais. 

«A União Europeia pretende em breve para assinar dois acordos comerciais de longo alcance: um com os Estados unidos (TTIP = Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento) e outro com o Canadá (CETA = Acordo Económico e Comercial Global Canadá-UE).  A versão oficial é que vão criar empregos e aumentar o crescimento económico. No entanto, os beneficiários desses acordos não são de facto os cidadãos, mas as grandes multinacionais.» (daqui)



«De acordo com as notícias das negociações, eis o que está em causa para os países da União Europeia :

PROTECÇÃO AMBIENTAL: Diminuição dos padrões de protecção ambiental. Autorização da exploração de gás de xisto (fracking) . Venda de produtos com químicos não testados. Desregulação dos níveis de emissões no sector da aviação.

SEGURANÇA ALIMENTAR: Concorrência agressiva das empresas agroindustriais dos EUA. Autorização dos Organismos Geneticamente Modificados. Utilização de hormonas de crescimento na carne. Desinfecção de carne com cloro.

EMPREGO: Falsas promessas de um aumento do número de postos de trabalho. Aumento do desemprego em vários sectores, não estando prevista a atenuação dos efeitos negativos da Parceria. Diminuição dos Direitos Laborais e salários. Aumento da precariedade.

SAÚDE: Aumento da duração das patentes dos medicamentos,impossibilitando a venda de genéricos a preços mais acessíveis. Serviços de emergência poderão ser privatizados. Venda de produtos com químicos não testados.

LIBERDADE E PRIVACIDADE: Tentativa de ressuscitar a ACTA. Violação da privacidade e liberdade de expressão. Transformar os fornecedores de internet numa força policial de vigilância privada do sector empresarial. Bloqueio de projectos de investigação. Fortalecimento dos Direitos de Propriedade Intelectual.

SERVIÇOS FINANCEIROS: Liberalização e desregulamentação dos serviços financeiros. Maior participação do sector financeiro no processo legislativo. Maior liberdade na criação de novos produtos financeiros. Maior facilidade de deslocação dos bancos para países com impostos mais baixos.»

ESTE ASSUNTO É MUITO SÉRIO E PREOCUPANTE, NÃO IGNOREM! Assinem esta petição, ajudem-na  a chegar a 1 milhão de assinaturas em http://stop-ttip.org/  ou em http://www.nao-ao-ttip.pt/:

"Apelamos às instituições da União Europeia e seus estados membros que suspendam as negociações com os EUA acerca do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (APT, ou TTIP em inglês) e que não assinem o Acordo Económico e Comercial Global (CETA em inglês) com o Canadá.

Queremos impedir o TTIP e o CETA porque contêm vários aspetos sensíveis, como, por exemplo, a resolução de litígios entre estados e investidores e as normas para a cooperação legislativa, que constituem uma ameaça para a democracia e a função do direito. Queremos impedir que os nossos elevados padrões de emprego, sociais, ambientais, de privacidade e de proteção do consumidor sejam baixados e que serviços públicos (tais como o aprovisionamento de água) e bens culturais sejam liberalizados em negociações pouco transparentes. A ICE apoia uma política de comércio e investimento alternativa na UE."

Saiba mais em:
http://www.nao-ao-ttip.pt/ (português)
http://parceriatransatlantica.wordpress.com/ (português)
http://ttipsecret.wordpress.com/ (espanhol)
Vídeo sobre o TTIP (inglês): http://youtu.be/Y4OQeekSD6s
Vídeo sobre o CETA (inglês): http://youtu.be/Zd_WQ21iKI8

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A natureza a falar - Coral

«Sou o Coral
Algumas pessoas pensam que sou apenas uma pedra
Mas, na realidade, sou a maior coisa viva neste planeta.
Sou tão grande que posso ser visto do espaço.
Mas por quanto tempo?
Eu cresço há quase 250 milhões de anos
E os humanos chegaram e um quinto de mim já desapareceu.
Claro, eu vivo no fundo do mar
E podes não me ver muitas vezes
Mas precisas de mim.
Sabes que um quarto de toda a vida marinha depende de mim?
Sou o berçário do mar.
Os peixes pequenos dependem de mim para alimento
E como esconderijo dos grandes peixes.
E adivinha quem precisa dos peixes grandes?
Certo, tu precisas!
Sou a fábrica de proteínas do mundo
E tu sobes a temperatura do oceano, e eu já não posso viver aqui.
Quando as grandes tempestades e tsunamis atingim o oceano,
Eu sou uma fortaleza.
E tu rebentas-me com dinamite e envenenas-me com cianeto.
Eis uma ideia maluca:
Para de me matar!»



Um vídeo de Conservation International com locução de Ian Somerhalder. Texto acima: tradução minha.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A natureza a falar - Sequóia

«- Como podes ser tão inteligente?
- Miúda, já aqui estou há muito tempo,
A nossa espécie está aqui há mais tempo que todas as outras. Já vi de tudo.
- A sério? Tal como?
- Já vi o clima, toda a espécie de clima.
- E muitas criaturas?
- Sim, ao princípio eram apenas insetos, aranhas, depois ratos e ratazanas, coelhos e ursos, doninhas.
Mas depois, de repente, apareceram os humanos,
E foi um inferno!
- Porquê, que fizeram os humanos?
- Bom, eles transformaram os lobos em cães,
Rios em lagos, e nós, em madeira.
Começaram a usar o planeta como se ele existisse só para eles.
Como se houvesse outro planeta extra à mão.
- Porque fizeram isso? Porque não compreendem?
- Não sei! Se eles não perceberem que fazem parte da natureza, 
Em vez de apenas usarem a natureza,
Provavelmente não estarão cá para te ver crescer



Um vídeo de Conservation International com locução de Robert Redford e Lena Redford. Texto acima: tradução minha.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ecorâmicas 2014 - "Lixo ao Espelho" (Guimarães 23 a 26/10)

Mostra de Cinema Documental sobre Ambiente e Sociedade

No próximo fim de semana, Guimarães vai ser palco de mais uma mostra de cinema sobre ambiente e sociedade, Ecorâmicas 2014, este ano dedicado ao tema "Lixo ao espelho".  Inclui também outras atividades, como ecofeira, artes e oficinas sobre o tema (ver programa abaixo). Os filmes são de muito interesse, alguns dos quais já passaram por este blogue ("Lixo Extraordinário", "Ilha das Flores", "Comprar, Descartar, Comprar - Obsolescência Programada"), seguidos de tertúlia / debate. Recomendo vivamente todos eles.  Também aqui já foi abordado o filme "Até à Eternidade", sobre os resíduos da indústria nuclear, que, além de interessante, é assustador para quem se preocupa com as gerações futuras. 

«A AVE - Associação Vimaranense para a Ecologia, a Cooperativa Cor de Tangerina e a Fraterna - Centro Comunitário de Solidariedade e Integração Social vêm por este meio convidá-lo/a para a edição 2014 das Ecorâmicas – mostra de cinema documental sobre ambiente e sociedade, que se realiza de 23 a 26 de outubro nas instalações da Fraterna, em Guimarães.

Esta edição, dedicada ao tema do desperdício e dos resíduos - LIXO AO ESPELHO – , pretende abrir uma reflexão crítica sobre os circuitos e destinos dos resíduos que produzimos: que imagem nos devolvem sobre o nosso modo de vida? Por que motivo nos silenciamos perante a origem e a finalidade de tudo quanto consumimos? Que comportamentos podemos alterar para reduzir o supérfluo e o desperdício inútil?

Este evento é aberto à comunidade, com acesso livre e gratuito e, além da exibição de filmes, terão lugar outras atividades, como tertúlias/debates, oficinas temáticas, intervenções artísticas e uma EcoFeira de iniciativas sobre reutilização de desperdícios.

Contamos consigo nesta iniciativa: trazendo um pouco de si, levando um pouco de nós.»

Programa:

Localização:
Centro Cultural VILA FLOR (CCVF) // Sessão de abertura
Avenida D. Afonso Henriques, 701 | 4810-431 Guimarães  | Telef. 253 424700
Coordenadas GPS: N 41.43695, W -8.29554
FRATERNA - Centro Comunitário de Solidariedade e Integração Social // Restantes sessões
Travessa de Vila Verde - S. Sebastião  |  4800-430 Guimarães  |  Tel. 253 511 400 / 962 145 421
Coordenadas GPS: N 41.439397, W -8.29341

Fonte: e-mail da organização (Liliana Duarte / Cor de Tangerina | Manuel Fernandes / AVE | Ruth Araújo /  Fraterna)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

"Doenças autoimunes" por John Bergman

No Dia Mundial da Alimentação 2014, deixo-vos o vídeo sobre doenças autoimnes do quiroprático Dr. John Bergman, que se dedica a alternativas naturais para a saúde. E que é que as doenças autoimunes têm a ver com alimentação? Vejam o vídeo, que  consta de uma aula de 2012, e terão a resposta. Não fala só de alimentação, mas fala do seu papel crucial na saúde. E sobretudo, trata a saúde de uma forma integral e não como um somatório de "especialidades" desconectadas.

Se conhece alguém com doenças autoimunes (esclerose múltipla, doença de Crohn, doença de Graves, psoríase, artrite reumatóide, fibromialgia, ....) ou se se interessa pelo assunto em particular ou pela saúde em geral, não deixe de ver. Se é polémico? Sem dúvida, mas muitas "certezas" ficarão abaladas.

Agradeço à Atimati o envio do vídeo original, destinado a uma pessoa muito próxima com a doença de Graves. Finalmente, decorrido mais de um ano com pouco tempo livre, consegui acabar de colocar as legendas em português, espero que tenha valido a pena. Se detetarem incorreções ou erros na tradução, por favor, não deixem de os indicar, para que possa corrigir. Obrigada.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A natureza a falar - Água

«Eu sou a Água.
Para os humanos, eu estou simplesmente ali.
Sou algo que eles têm por garantido.
Mas há apenas esta quantidade de mim,
E mais e mais deles cada dia.
Começo como a chuva nas montanhas, 
Fluo para os rios e correntes,
E acabo no oceano.
E o ciclo começa outra vez.
E levar-me-á dez mil anos
A voltar ao estado em que estou agora.
Mas para os humanos,
Sou apenas água, mesmo ali.
Onde é que os humanos me encontrarão,
Quando houver mais uns milhares de milhões por aí?
Onde se encontrarão eles próprios?
Será que farão guerras por minha causa?
Como fazem por tantos outros motivos?
É sempre uma opção.
Mas não é a única opção.»



Um vídeo de Conservation International com locução de Penélope Cruz. Texto acima: tradução minha.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A natureza a falar - Solo

«Eu sou o Solo.
Estou nas colinas, nos vales,
Nos campos, nos pomares.
Sem mim, os humanos não existiriam.
Mas tratas-me como sujeira.
Sabes que sou apenas uma pele fina neste planeta?
E que estou vivo?
Cheio de organismos que fazem crescer os teus alimentos?
Mas estou débil, seco, sobreusado, doente,
Por tua causa.
Fizeste-me definhar
Para menos de metade do que eu era apenas há cem anos.
Está a prestar atenção?
Estou a transformar-me em poeira.
Portanto, talvez me possas tratar com um pouco mais de respeito.
Suponho que queiras continuar a comer,
Certo?»



Um vídeo de Conservation International com locução de Edward Norton. Texto acima: tradução minha.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A natureza a falar - Floresta tropical

«Eu sou a Floresta tropical.
Eu vi-os crescer aqui,
Eles foram embora,
Mas voltam sempre.
Sim, eles voltam sempre.
Pelas minhas árvores,
Pela sua madeira,
Pelas minhas plantas,
E seus medicamentos,
Pela minha beleza,
A sua fuga.
Eu sempre aqui estive para eles, 
E fui mais do que generosa
Por vezes, dei-lhes tudo a eles,
Agora, desaparecida, para sempre.
Mas os humanos,
São tão espertos,
Tão espertos,
Com cérebros tão grandes,
E polegares oponíveis.
Eles sabem fabricar coisas,
Coisas espantosas.
E para que precisam eles de uma velha floresta como eu?
Selvas? Árvores?
Bem, todos eles respiram ar,
E eu faço ar.
Será que já pensaram nisso?
Humanos, tão espertos!
Eles descobrirão.
Humanos, a fazer ar.
Será divertido de ver! »



Um vídeo de Conservation International com locução de Kevin Spacey. Texto acima: tradução minha.

domingo, 12 de outubro de 2014

A natureza a falar - Oceano

«Eu sou o Oceano
Sou água,
Sou a maior parte deste planeta,
Eu moldei isto.
Cada corrente, cada nuvem,
E cada gota de chuva,
Todos voltam para mim.
De uma maneira ou de outra,
Cada ser vivo aqui,
Precisa de mim.
Sou a fonte,
Sou de onde eles rastejaram para fora.
Os humanos, não são diferentes.
Não lhes devo nada,
Eu dou, eles recebem,
Mas eu posso sempre receber de volta.
Sempre assim foi.
De qualquer modo, não é o planeta deles,
Nunca foi, nunca será.
Mas os humanos,
levam mais que a sua parte,
Envevenam-me e esperam que os alimente.
Mas não funciona assim.
Se os humanos quiserem existir na natureza comigo,
E fora de mim.
Sugiro que ouçam com atenção,
Pois só vou dizer dizer isto uma vez:
Se a natureza não for mantida saudável,
Os humanos não sobreviverão.
Tão simples como isso.
A mim tanto me faz,
Com ou sem humanos,
Eu sou o Oceano.
Já cobri todo este planeta uma vez,
E posso sempre voltar a cobrir.
É tudo o que tenho a dizer.»



Um vídeo de Conservation International com locução de Harrison Ford. Texto acima: tradução minha.

sábado, 11 de outubro de 2014

A natureza a falar - Mãe Natureza

«Alguns chamam-me "Natureza",
Outros chamam-me "Mãe Natureza".
Estou por aqui há cerca de 4,5 mil milhões de anos,
22500 vezes mais tempo que tu.
Realmente, não preciso das pessoas,
Mas as pessoas precisam de mim.
Sim, o teu futuro depende de mim.
Quando eu prospero, tu prosperas;
Quando eu vacilar, tu vacilas;
Ou pior.
Mas eu estou aqui há éons.
Alimentei espécies maiores que tu,
E fiz passar fome espécies maiores que tu.
Os meus oceanos,
O meu solo,
Os meus cursos de água,
As minhas florestas,
Todos te podem levar,
Ou deixar.
Como escolhes viver cada dia, ou respeitando-me, ou não me respeitando,
Realmente, não me importa.
De uma maneira, ou da outra, as tuas ações determinarão o teu destino,
Não o meu.
Eu sou a Natureza, eu continuarei,
Eu estou preparada para evoluir.
E tu, estás?»



Um vídeo de Conservation International com locução de Julia Roberts . Texto acima: tradução minha.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"Relatório Planeta Vivo 2014" - Biodiversidade ameaçada

«De acordo com o Relatório Planeta Vivo 2014 da WWF, as populações de espécies de vertebrados diminuíram para menos de metade em apenas 40 anos. O relatório, divulgado em 30/09/2014, confirma o contínuo declínio de espécies e alerta para a necessidade de soluções sustentáveis para salvar o planeta. »
Fonte: WWF Portugal

«O estado da biodiversidade no mundo parece pior do que nunca. O Índice Planeta Vivo (LPI na sigla inglesa), que mede as tendências em milhares de populações de espécies de vertebrados, mostra um declínio de 52 por cento entre 1970 e 2010. Por outras palavras, o número de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes em todo o mundo tem, em média, cerca de metade dos quantitativos que apresentava há 40 anos. A biodiversidade está em declínio tanto nas regiões temperadas como nas tropicais, mas este decréscimo é maior nas regiões tropicais.
...

As nossas sociedades e economias dependem de um planeta saudável O desenvolvimento sustentável tem um lugar proeminente na agenda internacional há mais de um quarto de século. As pessoas falam com sinceridade das dimensões ambientais, sociais e económicas do desenvolvimento. No entanto, continuamos a construir a componente económica a um custo considerável para o ambiente. Corremos o risco de pôr em causa os ganhos económicos e sociais ao não termos em conta a nossa dependência dos sistemas ecológicos. Sustentabilidade social e económica só é possível através de um planeta saudável.

Os ecossistemas sustentam as sociedades que criam as economias. Não funciona ao contrário. No entanto, embora os seres humanos sejam um produto do mundo natural, tornaram-se também a força dominante que molda os sistemas ecológicos e biofísicos. Ao fazermos isto, estamos não só a ameaçar a nossa saúde, prosperidade e bem-estar, mas o nosso próprio futuro. 

O Relatório Planeta Vivo 2014 revela os efeitos das pressões que estamos a colocar no planeta. Este relatório explora as implicações para a sociedade do sobre-uso dos recursos naturais. Sublinha também a importância das escolhas que fazemos e dos passos que damos para garantir que este planeta vivo continue a suster as gerações actuais e vindouras. »


Relatório completo em inglês "Living Planet Report 2014":  descarregar aqui.

domingo, 5 de outubro de 2014

Venenos legais - História de uma terra ferida

«O cultivo de transgênicos e o uso de produtos químicos cada vez mais agressivos têm transformado a indústria agrícola argentina. Os casos de câncer e má formação estão aumentando. É a luta das populações locais contra um inimigo invisível. O vídeo abaixo mostra as imagens de “Historia de una tierra herida”, um ensaio fotográfico do jornalista Álvaro Ybarra Zavala sobre os terríveis efeitos da agricultura dos transgênicos na Argentina


Alvaro Ybarra Zavala: Legal Toxin from Leica Fotografie International on Vimeo.

Transcrição do artigo:

"Fotógrafo registra males causados por agrotóxicos e transgênicos, por Caroline Stevan, do Letemps*, publicado em  MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (Brasil), 1 de outubro de 2014

«Durante quase três anos, Álvaro Ybarra Zavala, fotógrafo espanhol, fotografou a indústria alimentar questionando seus excessos.

Algumas de suas fotos em preto e branco foram apresentadas em Perpignan, no Festival de Fotojornalismo Visa pour l’image.

As imagens são de transgênicos, máquinas de fumigação de pesticidas, silos gigantes que a empresa Monsanto instalou em Rojas, Argentina.

Entre outras imagens tão chocantes, uma é da filha de um agricultor que celebra seu aniversário, mas que pede de presente a vida para seus filhos gravemente doentes e com deformidades,

Como seu deu a realização desse projeto?

Comecei trabalhando com um caso em especial na Argentina e descobri que havia muitas histórias pra contar. Então entendi que era um tema importante e com grande impacto global. Acompanhado de um jornalista, um médico e alguns advogados, me lancei nessa ampla investigação.

Minha ideia não era agir como um ativista, mas criar um debate sobre a maneira que queremos que produzam nossos alimentos. Isso é algo crucial: todos nós nos alimentamos. Os médicos e advogados me assessoravam, porque queríamos ter certeza de conseguir avançar nas investigações. Do outro lado, a Monsanto, colocou seus advogados de prontidão para nos impedir a realização e publicação de nosso trabalho.

A Monsanto aparece como o grande mal nas suas fotografias. É o único?

Não é o único, mas é o principal. A Monsanto é um monstro.

Quais são os principais problemas?

Se você for à Índia, Argentina ou outros países, comprovará que este tipo de produção agrícola está criando problemas de saúde pública e ao meio ambiente, além de violações dos direitos humanos, problemas políticos e grandes tensões econômicas. Esta indústria precisa de cerca de 4000 a 10.000 hectares de terra para ser rentável.

Os pequenos agricultores locais são marginalizados e em todas as partes em detrimento das multinacionais. Os pequenos produtores se vem obrigados a vender suas terras, como está acontecendo no Brasil. E se não o fazem, seus campos de cultivo são rodeados por outras propriedades que fazem uso dos pesticidas.

Na Argentina, por exemplo, já existe a primeira geração de crianças que foram afetadas porque seus pais foram expostos a substâncias químicas, são abortos espontâneos, enfermidades, malformações, como a hidrocefalia. Estes casos formam uma legião. Pensei que teria que realizar uma busca exaustiva, mas a cada 600 habitantes há pelo menos 70 casos. Os adultos sofrem de câncer e doenças de pele. A contaminação acontece pelos produtos, mas também pela água e pelos alimentos.

Se te perguntarem se a indústria alimentar está envenenando o mundo ao invés de alimentá-lo. Que resposta dará?

Obviamente as grandes companhias argumentam que eles são a solução para a fome no mundo. Os ativistas sustentam que a crise alimentar está demonstrando o contrário. É certo que o planeta está muito afetado por esse tipo de produção.

Outros setores estão conscientes desse problema?

Sim, mas a indústria dá muito trabalho outros setores econômicos. As cooperativas que administram os seguros de saúde, que oferecem proteção jurídica, etc, todas elas estão cercadas de multinacionais como a Monsanto. Tudo é feito para que o sistema siga funcionando.

O que dizem as autoridades?

Vivem também do negócio. Nosso trabalho tem sido muito pouco divulgado, mas pela sua representação na Argentina estamos sendo submetidos a muitas pressões que são procedentes dos níveis mais altos.

Quais são os seus próximos passos nessa investigação?

Malawi, Moçambique, Índia, Europa e América de Norte. A Monsanto está em todos e cada um destes países, mas, uma vez mais, nosso trabalho se concentrará nos métodos de produção de alimentos e não na empresa em particular.»

                                               Fonte: MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (Brasil)

sábado, 4 de outubro de 2014

"A carne é fraca"

Os nossos hábitos alimentares foram-nos transmitidos pela nossa família e pela sociedade em que estamos inseridos. A maior parte de nós pouco pensa no assunto, e, infelizmente, cada vez menos tempo dedicamos à alimentação. Mas dela depende a nossa saúde ou a nossa doença, o equilíbrio ou a devastação do planeta, o bem estar ou o sofrimento dos animais.

Não olhe para o lado, não feche os olhos, saiba o que se passa!

Os maiores consumidores de carne per capita  do mundo - 2007 
(Imagem de The Economist)
Durante o século 20, e na civilização ocidental, que entretanto se transmutou em capitalismo e se globalizou, esses hábitos sofreram grandes mudanças. Uma delas, foi o aumento do consumo de carne e outros produtos de origem animal. De 1961 para 2007, o consumo mundial (anual) per capita passou de 22 kg para 40kg; em 2010, esta média esteve nos 46,6 kg. Dados da FAO de 2007, num estudo de 177 países, apresentam no topo dos consumidores de carne per capita, o Luxemburgo (136,73 kg), seguido dos Estados Unidos (122,79 kg) e da Austrália (122,70 kg), e na base da tabela a Índia (3.26 kg). A Espanha aparece em 5º lugar (111,56 kg), Portugal no 16º (92,62 kg), e o Brasil em 34º (80,49 kg).

 Em paralelo, cada vez há mais estudos que associam o consumo de carne a doenças como o cancro (ver no Green Savers e na revista Nutrition & Metabolism) e que provam que veganos e vegetarianos vivem em média, quase mais uma década que os que comem carne (ver na ANDA e no The Huffington Post).

Imagem obtida aqui
O consumo de carne, através da "indústria" pecuária, tem impactos ambientais enormes: a quantidade de área utilizada, em expansão predadora, tem levado à destruição de vastas áreas de floresta, com implicações extremamente negativas a nível de redução de biodiversidade e de redução da absorção de CO2; a energia que utiliza de forma altamente ineficiente: "são necessários 8 vezes mais combustíveis fósseis para produzir proteína animal do que proteína vegetal e que a primeira é apenas 1,4 vezes mais nutritiva do que a segunda"; e o consumo elevadíssimo de água: para obter um quilograma de carne de vaca é preciso gastar, em média, 15 mil litros de água.

Para além das questões de saúde e ambientais, é preciso colocar no lugar que merecem, as questões éticas. Para comer um animal, é preciso que alguém o mate. E se uma grande maioria dos humanos considera isso "normal", também uma grande maioria pensaria duas vezes antes de comer carne se imaginasse sequer as condições de sofrimento na vida e na morte a que tantos milhões de animais são sujeitos.

Respeitar os animais implica considerar que a nossa espécie não está acima das outras (especismo), e o mínimo que lhes devemos é não ignorar o enorme sofrimento que indiretamente lhes infligimos. Só assim poderemos tomar decisões conscientes do nosso dia a dia; para isso proponho que ganhe um pouco de coragem e veja o documentário brasileiro "A carne é fraca", de 2005, produzido pelo Instituto Nina Rosa, sobre os impactos que o ato de comer carne representa para a saúde humana, para os animais e para o ambiente (53 min).



Sobre a questão da ética e do sofrimento dos animais,  ficam aqui as ligações:

«EARTHLINGS (Terráqueos), 2005, é um premiado documentário  sobre o sofrimento dos animais para comida, moda, animais de estimação, entretenimento e investigação médica. Considerado o documentário mais persuasivo de sempre, EARTHLINGS é apelidado de "o fazedor de veganos", pelas suas sensíveis filmagens gravadas em abrigos e lojas de animais, “fábricas de filhotes”, quintas-fábrica de pecuária, matadouros, negócios de couro e peles, eventos desportivos, circos e laboratórios de pesquisa. O filme, de  Shaun Monson, é narrado por Joaquin Phoenix e tem música de Moby . Inicialmente ignorado pelos distribuidores, EARTHLINGS hoje é considerado “o filme” sobre direitos dos animais por organizações de todo o mundo. » (tradução de parte do texto do site oficial)
Filme Earthlings (original)  (95 min)
Filme Earthlings legendado (95 min)
Filme Earthlings legendado (em 10 partes) 

"Se os matadouros tivessem paredes de vidro, não seríamos todos vegetarianos? Mas os matadouros não têm paredes de vidro. A arquitetura do abate é projetada no interesse da negação, para garantir que não vejamos mesmo que quiséssemos olhar. E quem quer olhar?" (do filme)
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Nestes quase 4 anos de blogue, esta foi a mensagem que mais me custou a preparar; mas se por causa dela houver menos 1 animal a sofrer, terá valido a pena.
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Mensagem publicada em 04/jan/2013, republicada em 4/out/2014, Dia Mundial do Animal.